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Fevereiro 2012

Aloysio Campos, da paz e do bem

Não é numerosa a galeria dos empreendedores brasileiros verdadeiramente grandes: Delmiro Gouveia, o construtor da primeira hidroelétrica no Brasil; Marechal Montenegro, o criador do ITA; Juscelino Kubitschek, o fundador de Brasília... A esses nomes, acrescente-se Aloysio Campos da Paz Júnior, o médico que idealizou e criou a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, hoje referência mundial em traumatologia e ortopedia. A vida e a luta desse homem são por ele mesmo narradas em Repassando memórias (Brasília: SarahLetras, 2010), leitura para todo estudante de Medicina e para o público em geral, como belo exemplo de idealismo, pertinácia e respeito à profissão.

Carioca de Copacabana, onde nasceu em 1934, herdou a vocação e a consciência social do avô e do tio médicos, presos como comunistas, juntamente com Graciliano Ramos, pela ditadura Vargas. Aos 16 anos, aprende a tocar trompete e forma, com Luizinho Eça, um conjunto que anima festas e bailes no Fluminense. A formação profissional é vista com a franqueza que lhe é própria: “Tinha entrado para a Faculdade de Medicina pensando no que ouvia nas conversas da mesa de domingo na casa de meu avô: amor, humanismo e dedicação ao próximo. Encontrei em aulas áridas professores na maioria indiferentes, quando não sádicos, que jogavam ossos do punho em cima da mesa de exame e rosnavam: ‘Identifique-os!’” Recebe o diploma e troca o Rio pela recém-inaugurada Brasília, pois em terras cariocas não aprenderia muito: nas arguições, os professores elogiavam os veteranos colegas Campos da Paz, faziam uma pergunta besta e se davam por satisfeitos: “Vá embora, menino, 10! Você já aprendeu Medicina em casa...”

Em 1960, chega à nova capital da República sem proteção política, sem experiência e sem saber que naquele fim de mundo sequer havia táxi... Sai de casa com o jaleco branco, pega carona em caminhões das empreiteiras e desce no 1° Hospital Distrital de Brasília com a cor de barro, pelo pó que tinge o Plano Piloto. Sem que soubesse, plantava naquele chão vermelho a semente do “Sarinha”, o Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, hoje uma rede com unidades em Macapá, Belém, São Luís, Fortaleza, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Para viabilizar-lhe a existência, protagonizou uma façanha que bem poderia entrar para a história não da Medicina, mas da Igreja, como o “Milagre de Campos da Paz”: uma lei do Congresso Nacional que criou a primeira (e até agora única) instituição pública não estatal do Brasil, a salvo da burocracia, da incompetência e do corporativismo funcional que tornam péssimos os serviços a que tem direito o cidadão.

Em “Um homem diferente”, escreve o filósofo Leandro Konder, apresentador do livro: “Com a criação da Rede Sarah, Aloysio desencadeou uma autêntica guinada histórica: a retomada de valores humanos que não se deixam liquidar pelo exclusivismo dos critérios comprometidos exclusivamente com o lucro ou o prejuízo.” Essa, a trajetória do médico que, cheio de clientes no consultório particular, resolveu fechá-lo quando enxergou em uma radiografia de joelho não a escolha do tratamento indicado, mas a intervenção cirúrgica com que pagaria uma promissória a vencer...

Às vésperas de completar 77 anos, na plenitude da lucidez e da produção científica, o Dr. Aloysio Campos da Paz renova a profissão de fé com que iniciou a carreira: dar o melhor de si pela dignidade humana, pela saúde, pela justiça e pelo respeito que se devem ao doente, seja ele ministro de estado ou o motorista que o serve. Em um país como o nosso, que se transformou no reino das clínicas particulares e dos planos de saúde, explica-se a sincera admiração de um paciente do Sarah: “Isto aqui não é um hospital público?! Eu não estou sendo tratado de graça?! Então como é que está tudo funcionando???!!!”

(*) Edmilson Caminha (Fortaleza) , jornalista, escritor e servidor da Câmara dos Deputados

 

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Edmilson Caminha (Fortaleza), escritor


                                            


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