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Junho 2012

A “visão profética” de Mauro Sampaio


Presumo ter sido o primeiro a publicar extensa matéria jornalística a respeito da estátua do Padre Cícero, que seria erguida na colina do Horto, a parte mais elevada nos arredores da cidade do Juazeiro do Norte, e onde, em fins do século 19, o padre iniciara a construção de uma capela, obra autorizada pelo bispado diocesano, que, posteriormente, proibiu fosse concluída.

Em janeiro de 1969, de férias no Crato, fui informado a respeito de monumental estátua que o prefeito Mauro Sampaio, do Juazeiro do Norte, pretendia erigir em homenagem ao padre Cícero, a qual em tamanho perderia apenas para a do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Fora a base de concreto sobre a qual seria assentada, a estátua teria 25 metros de altura. O projeto foi confiado ao pernambucano Armando Lacerda, hoje falecido, representante comercial e escultor nas horas vagas. Residia ele no Crato. Procurei-o e em sua companhia visitei o galpão onde trabalhava a obra que o imortalizaria, localizado em tranquila rua afastada do centro do Juazeiro. Ali, além da maquete da estátua, de metro e meio de altura, havia já, em formato definitivo, o esboço da parte superior da monumental estátua.

Retornando a Brasília, publiquei no Correio Braziliense, sob o título “O Grande Padre Cícero”, matéria com ilustrações, que ocupou toda a 1ª página do Caderno 2, do qual à época eu era editor.

Na opinião de Armando Lacerda, o monumento ao Patriarca na dimensão proposta pelo prefeito, além de constituir sua maior e mais importante obra, representava um desafio sem precedente em sua atividade artística, que exercia mais por diletantismo que por qualquer outro motivo.

Naquela oportunidade, conheci alguns dos trabalhos artísticos de Lacerda. Belíssimas estátuas esculpidas com esmero em gesso ou pedra sabão, as quais chamavam à atenção pela elegância e leveza da forma plástica que procurava imprimir em suas graciosas peças, que, num gesto inovador, diferiam sutilmente da linha clássica da estatuária de então. De porte pequeno ou médio, suas estátuas de mulheres nuas ou não atraíam a atenção de quem apreciador de obra de arte, sendo disputadas como peças decorativas. Um exemplo: Hubert Bloc Boris, cidadão francês residente no Crato e fazendeiro no município de Caririaçu, dotado de refinado gosto artístico, era, além de apreciador das esculturas de Armando Lacerda, um quase monopolizador das peças produzidas pelo pernambucano. Não há exagero em afirmar que o autor da estátua do Padre Cícero, pelo seu talento, foi precursor de um estilo na arte de esculpir que hoje se observa entre grande parte dos escultores nordestinos.

Foram essas pequenas peças concebidas por Lacerda que chamaram a atenção do prefeito Mauro Sampaio, que resolveu confiar-lhe a concretização de seu desejo de homenagear a figura do padre Cícero com uma imagem que plantada no cimo do Horto fosse vista de qualquer ponto da cidade e que, segundo línguas maldosas, “fizesse sombra no Crato”, frase atribuída de certo a quem munido do propósito intolerável de acirrar suposto ânimo antagônico entre as duas mais importantes cidades do Cariri, tradicionalmente unidas no esforço comum direcionado ao progresso da Região.

É corrente no Juazeiro que a ideia de um monumento ao Padre Cícero teria partido de um beato, figura comum no cenário religioso da cidade, o qual teria sugerido a Mauro Sampaio, tão logo este assumiu a Prefeitura, em 1967, a construção de um cruzeiro na colina do Horto em honra do Padim Ciço.

- Por que não uma estátua? - teria respondido o prefeito.

Ao idealizar a construção do monumento ao Patriarca, Mauro Sampaio teve como que uma visão profética. Intuiu que, além de consolidar e expandir a devoção popular ao padre Cícero, a estátua também serviria de atração turística. Vislumbrava, em função disto, um futuro promissor para o Juazeiro. De fato, tal como imaginava, cresce a cada ano a multidão de romeiros que acodem à Meca cearense, procedentes de quase todos os Estados do Nordeste. De igual modo, crescente é o número dos que acorrem ao Juazeiro com o intuito de ver a gigantesca estátua do Patriarca. Embora se confundam, as romarias e o turismo religioso contribuem de modo decisivo para o progresso da cidade, que avança, extraordinariamente, não só no seu crescimento demográfico, como em várias outras direções, principalmente no rumo da economia e da expansão do ensino superior. Juazeiro é um exemplo de cidade que hoje mais cresce no interior nordestino, mercê, também, da capacidade empreendedora de sua gente. Até mesmo no segmento da política conquistou posição de destaque, antes ocupada pelo Crato, hoje, lamentavelmente, incapaz de eleger representante próprio tanto para o Legislativo Estadual quanto para a Câmara dos Deputados ou para o Senado Federal.

Voltando à estátua, vale registrar que a sua construção, a cargo do engenheiro Rômulo Ayres Montenegro, se deu em tempo recorde, entregue à população juazeirense, para ser inaugurada na data de 1º de novembro de 1969, véspera do Dia de Finados, quando ocorre a maior concentração de devotos em visita ao túmulo do Patriarca.

Assim como ocorreu com o Padre Cícero, Mauro Sampaio também recebeu em vida a homenagem da população juazeirense, que merecidamente batizou com seu nome uma das praças da cidade.

(*) José Jézer de Oliveira (Crato), jornalista, ex-presidente da Casa do Ceará.

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José Jezer de Oliveira


                                            


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