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Agosto 2012

A linguagem de Paco, regional e universal

Nada errado na forma de escrever dos nossos cronistas sociais, jornalistas, repórteres, comentaristas, formadores de opinião,verdadeiros especialistas em vaidades e veleidades humanas, no individual e no coletivo. A maioria usa de recursos linguísticos para que possam ser melhor compreendidos por seus leitores. Com o nosso Lúcio Brasileiro, o Paco, não é diferente. Seu repertório é rico. Como não tenho toda a sua obra, o que vai aqui anotado foi colhido no “Assim falava Paco... Contos de um repórter opovoano”, com apresentação de Juarez Leitão orelhas de Fernanda Quinderé e Tarcisio Tavares “in memoriam”.

Paco sentencia em seu registro “Exugando”: ‘‘Leitores de minha coluna de O POVO perguntam porque ao invés de dizer “especialmente”, digo “especial”e “conterra” no lugar de “conterrâneo” e “sugesta” ao invés de “sugestão”, ora, escrever é uma arte, e sou dotado de texto enxuto, e “veio especialmente de Brasília pro casamento” dá perfeitamente pra entender sem necessidade do “mente”, além do mais, detesto palavras grandes ou terminadas em ão, que o espanhol, por exemplo, não tem”.

Trabalhei por longo tempo com quem considero o maior de todos os cronistas sociais, ou repórteres sociais, Ibrahim Sued. Não foi o pioneiro, pois Jacinto de Thormes veio antes, como outros do mesmo calibre. Ibrahim atuava em equipe e sua coluna no Diário da Noite (começo), Diário de Notícias (período curto) e em O GLOBO constitui um repositório de registros históricos não apenas do mundanismo do passado mas dos protagonistas e atores de uma sociedade já emergente na sua época. Ibrahim usou e abusou de expressões e bordões que era sua forma ousada de buscar a empatia com seus leitores. Fez escola por seu estilo de fácil percepção, teve o seu reconhecimento por paraninfar uma turma de Comunicação Social da Universidade de Brasília, escreveu livros e foi muito além do que certamente imaginava. Sem concessões, escreva-se.

Paco não saiu do Ceará, mas tem trajetória parecida, marcada por seu protagonismo na sociedade cearense, com ousadia, desenvoltura, responsabilidade e seriedade. Sem esses valores, não teria sobrevivido a meio século de presença na boca de cena do jornalismo cearense, como repórter bem informado, educado, refinado, cidadão do mundo, sabendo tudo de beleza, culinária, enologia, sociedade, política, economia. Nesta linha contribuiu silenciosamente para a “revolução dos costumes” na sociedade cearense, atuando de fora para dentro, ditando padrões de civilização, forçando as mudanças e transformações que acompanhou na beira do gramado, seja no Ugarte, Torre do Iracema, Fortaleza, Paris, Nova Iorque e Rio de Janeiro...

Aqui vai um registro de gírias, ou quase gírias, neologismos, expressões, regionalismos, bordões que Paco utilizou no seu “Assim Falava Paco...”. Optei por relacionar por ordem alfabética, desobedecendo a ordem de entrada nas suas notas contidas no livro. No colunismo, a licença de estilo vai do título das notas ao que comporta a narrativa, para impactar, surpreender e informar.

Adjuntos adverbiais de tempo (uísque), ao pé da letra (fidelidade), arrufo (briga), arrufado (brigado), baixaria (mesquinharia), Bicho papão (terror), Big boss (líder), Bola na rede (algo bem feito), bom tom (educado), botafora (despedida), cabeça chata (cearense), cap (capitão de indústria), carta branca (autorização), champagnota (champagne), chegado (próximo), ciço (bobo), cocorotes (cascudos), comes e bebes (comidas e bebidas), comemores redondos (aniversários de 40,50,60,70 anos),confreiros (colegas, companheiros), conterra (conterrâneo) conversa fiada (conversa sem nexo), desmancha prazer (pessoa desagradável), deu branco (esqueceu), devagar com o andor (calma), disse-me-disse (intriga),enxugar (beber), era uma uva (linda), escapei fedendo (livrei-me de uma situação difícil), especial (especialmente), espritou (ficou com raiva), fazendo de conta (supondo), fim de festa (acabou), fio da meada (princípio de alguma coisa), fofoca (intriga), it (charme), gabolar (gabar-se), gotoso (gostoso), macaco velho (experiente), mão aberta (generoso), menino véi (menino), lança (lançamento), mão de vaca (sovina), marmota (algo inusitado), metendo a colher (se intrometendo), mexerico (intrigas), miserê (miserável), moçada rosada (gay, homossexual), mostarda do que nunca (mais tarde do que nunca), mulherio (mulheres), na garapa (sem pagar, de graça), não entregar a rapadura (não se deixar vencer), pagar pato(saldar dívida), paixonite (paixão extrema ou aguda), papo furado (conversa sem nexo), pastorando (fiscalizando, observando), pavio curto (explosivo), pebol (futebol), pelo fio (por telefone), penetra (pessoa que vai aos lugares sem ser convidado), perdendo o rebolado (errando), pingo nos iis (esclarecer), pintei o sete (fiz o que devia como queria), pisando no tomate (errando), presepada (armação, improvisação), pretensão e água benta (não fazem mal), qüiproquó (confusão), rabo de palha (nada desabonador), restô (restaurante), sangue nas teclas (bom pianista), soçaite (sociedade), sugesta (sugestão),tapando buraco (agindo provisoriamente), tem dó (paciência), veterados (governos de Virgilio Távora, o VT), vida airada (vida alegre),volta por cima(vitória com desforra).

O maior escritor da língua portuguesa, Eça de Queiroz, usou do recurso gírio, de regionalismo, sem as vulgaridades recorrentes, para escrever seus melhores livros. O texto de Paco é ‘‘enxuto”, direto, cristalino e às vezes irônico, como recurso de crítica social às grandezas e as fraquezas humanas.

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor.

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JB Serra e Gurgel
Jornalista e Escritor
http://www.cruiser.com.br/girias
gurgel@cruiser.com.br


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