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Setembro 2012

O trono vazio

Linda, a rosa que se abriu, manhã, cedinho, e respingada de orvalho se achegou, pela brisa, ao peitoril da janela. A tempo me contive no ímpeto de colhê-la, surpreendida ante a prodigalidade da vida, ao dia que se deixava apenas vislumbrar.

E me aquietei ali, na janela entreaberta, cheia de enlevo, imóvel, como se temesse que um gesto mais brusco pudesse romper o milagre e quebrar a magia. A rosa fremia e plena de viço se oferecia ao meu encantamento, como se entendesse a oração que sem perceber eu recitava à vida.

Agradecida pelo privilégio, uma rosa me dando “bom dia”, apanhei o jornal para as primeiras notícias. E se fechou o coração, fugiu a alegria, no contraste do mundo, incendiando, explodindo, chorando, tremendo. De pânico, de medo. Ganharam as manchetes, a violência, o mal, e já nem se duvida que o homem também é fera! O terrorismo campeia, na terra, no ar, e já nem se duvida que de tanto avanço e tecnologia ficou demente, insano, este pobre mortal! O desrespeito à vida perdeu o impacto das notícias raras, e à sanha assassina do bandido ou do ladrão qualquer um serve de vítima, homem ou mulher, criança ou ancião.

Não tem entranhas, a mulher que tira da mãe seu pequenino, e, arrancando-o, rouba-lhe a vida! Com o filho que se foi, seguem junto a luz, o riso, o colorido, a graça. Para tanto mal, por certo nunca gerou um filho, a infeliz, nunca acarinhou nos braços um bebê, sangue do seu sangue, fruto de amor.

Não pode, nunca, saber a desgraçada, a dor de um berço vazio, os meses de espera, ternamente preparado para o tenro corpinho, há tanto esperado E agora, trágico, desocupado, imenso, para conter a amargura e todo o desespero da mãe que volta para casa sem o filho pequenino.

Não pode, nunca, saber da ternura, do afago, tão simples o gesto, de acarinhar o casaquinho, a manta do filho amado. E agora, o berço vazio... E nunca entenderá a muda linguagem, o brilhante discurso que sem palavras murmurou ao filho que no ventre morava, em-quanto enfeitava de fitas e de festa o quarto pequenino. E agora, o berço vazio...

O Judas persiste,ainda, no seu rastro de morte e por qualquer razão que tente justificar, ainda vende um inocente! A pobre mãe, num quarto de hospital, feliz com o prêmio que lhe dera a vida, nos braços o filho que acalentou em silêncio de ansiosa espera, não poderia supor, jamais, que a traição se armava ali, junto, para lhe desferir terrível golpe. Na imensa alegria que lhe tomava, inteira, já se distanciava o medo, a expectativa, e os tempos de ansiedade. E sorriu à falsa visitante! Sem pensar no mal, que há só bondade na mulher que acaba de ganhar um filho, confiou naquela que chegou se dizendo anjo, e sendo apenas maldade, e entregou, tranquilamente nos braços, a vida que apenas palpitava.. O inocente se foi, nas mãos da fera que rápida partiu. O pacto do mal fora arquitetado há muito!

Passados 2000 anos da”gigantesca traição,”ela persiste com igual perversão, se mente, se falseia, se rouba, se mata! Feito de barro este pobre morta!Volta à lembrança a imagem dojusto, também vendido, trinta moedas, depois pregado na cruz.

Vendo quão profundo o abismo que se abre para onde se encaminha o homem, na sua faina de arrasar e destruir, sentindo o gosto amargo do desalento, cheguei à janela para respirar.Faltava-me o ar, opresso o peito.

Encostada ao peitoril, a minha rosa se oferecia ainda, plena de beleza. Recebi sua mensagem sem palavras, e, rendida, me convenço de que o b em ainda existe, a despeito de todo o mal. Não se negou a rosa à missão a que veio, testemunhando o bem. Haverá, sempre uma manhã desabrochando e uma rosa nascendo...

(*) Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora

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Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
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