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Agosto 2015

Há vida lá fora...

“Há vida lá fora. Só falta achar”. Ah! a matéria , no jornal, em letras gigantes , me fez rir. Na constatação, uma vez mais, que pessoa alguma, ninguém, pode fugir dessa busca infindável, interminável, inesgotável, permanente, constante, deste pobre mortal! Não acaba nunca! Carregamos, nós, simples mortais, essa sina de buscar, de ansiar, de procurar, de tentar, para repetir, indefinidamente, sofrendo por um mais que nos acena, torturando a alma e o coração. Como um carimbo, uma marca, um selo dentro de cada um. A fuga é impossível! O carimbo é intrínseco, na pele, na alma, no coração!

E começa cedo o desejo, a procura, o anseio. Com poucos meses a criança busca a mãe, imperiosamente. Na infância, deseja o brinquedo, a bola, o velocípede, a bicicleta! Adolescente, sonha com a moto, com o carro. Depois com a universidade. Tenta o emprego. A profissão, o poder, a glória, o dinheiro! A importância, o cargo. Uma busca infindável, quase um tormento. O tormento de estar sempre buscando! É o Suplício de Tântalo! Trazemos, no mais íntimo de nós, esse carimbo, marca indelével de sermos mortais, esse anseio de vir a ser, de encontrar, de conseguir. Irremediavelmente! Conta a Mitologia que Tãntalo por um terrível crime que cometeu, o seu pai, um deus, condenou-o a um desterro, longe de todos e de tudo. com um castigo sem atenuantes e sem fim! Pagando o pecado, tinha á sua volta uma floresta imensa, árvores de todas as espécies, carregadas de frutos, mas que não podia come-las! Por mais que desejasse, por mais que tentasse, sofria pelo desejo insaciável de alcança-las! ! Cada vez que se aproximava, elas se afastavam! Um anseio que persistia, indefinidamente. Uma tortura infindável! E como se não bastasse, à sua frente, agua, agua em abundância mas jamais poderia bebe-la!. Quando insistia em alcança-la, mais se distanciava, embora viva, latente, tivesse a ilusão de que o anseio teria fim! Frutos coloridos, agua borbulhante, oferecendo frescor, alegria, prazer, mas, afastada, toda e qualquer possibilidade de superar a ansiedade! O Suplício de Tântalo, a eterna procura, a busca sem fim, o anseio permanente por algo que se que se tenta reter, possuir, se apossar!

Muitos perderam a vida nessa busca! O preço da insistência! Outros, correram o risco de perdê-la! Injustiçados! Galileu, um deles, hoje considerado o Pai da Ciência Moderna! Falha, a justiça humana! Ontem, hoje, em total desacordo! como se pisássemos, sempre, em areia movediça! Físico consagrado, matemático famoso, foi acusado de heresia, condenado, e obrigado a ir à Roma, para assinar um decreto do Tribunal da Santa Inquisição, de santa só o nome! Declarava que a visão que professava e que proclamava, era apenas uma hipótese! Obrigado a negar a sua descoberta! Hoje, aclamado, incensado! Na sua busca, verdade científica, de que não era a Terra o Centro do Universo, pensamento aceito pelos físicos na época, mas apenas girava em volta de uma estrela, o Sol, quase perdeu a vida! Foi obrigado a recuar nas suas declarações , suas obras foram censuradas, proibidas, afastado de todo o meio científico. Embora constatado o seu valor como homem de Ciência, tivesse feito grandes descobertas, as montanhas da lua, os satélites de Jupiter, os anéis de Saturno, morreu abandonado, condenado, só. “A matemática é o alfabeto de Deus”, ele afirmava, convencido da veracidade da sua descoberta.

Os astrônomos, hoje, não vacilam em afirmar que não estamos sós, no Universo. E porque, seríamos os privilegiados em guardar a vida? Nesse espaço incomensurável, um pequeno planeta girando em volta de uma estrela, entre milhões de outros, o que de extraordinário e excepcional teria, para ganhar de um Deus tamanha gloria? A busca persiste. Em nós, a sede do Infinito. O anseio de atingir as fronteiras do melhot.

Um dia, talvez nem tão distante, quando forem mais sofisticados e mais apurados os aparelhos, mais precisos os cálculos dos astrônomos, possam eles proclamar, afirmar em letras gigantescas:” Achamos! Como nós, vivendo, sofrendo, também procurando, exixte, longe, alguém que canta uma canção, recita um verso, olha dentro dos olhos de alguém que ama e embevecido declara: Ah! Como eu te amo !”

(*) Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora.

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Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
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Camaleões à solta

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Coronel Chichio

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Um verbo para o encantamento

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Seca: a tragédia se repete
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Seca: a tragédia se repete
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Estórias de sertão, estórias de cangaço
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Recado para quem sai
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Na festa do tempo, um brinde à vida
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Em velha trova do tempo. Trinta dias tem setembro. Abril, junho, novembro...
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As lições de amor e ternura fazem eterno o Natal
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