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Abril 2009

Bairrismo de Sobral


Por que o bairrismo de Sobral foi sempre objeto de muita gozação, tantas ironias e brincadeiras depreciativas? Falava se em que ali só se falava inglês. Porque se trata dos Estados Unidos de Sobral, cujo ingresso exigia passaporte. Ao tempo da segunda guerra mundial, a piada que circulava, à época, era de que a cidade exigia que o noticiário falasse de sobrais voadoras e não de fortalezas voadoras, avião de caça e de combate.

Por que o bairrismo sobralense?

Porque a cidade sempre surpreendeu por sua sofisticação, por mandar os filhos estudar na Europa, pelo numero de pianos em uso em suas residências, pelo gosto refinado de seus habitantes. Sem falar em que o progresso do Ceará, segundo registra Capistrano de Abreu, veio do interior para a capital. Enquanto Fortaleza ainda era imenso areal espreguiçando0se ao sol, Iço já tinha teatro que ainda hoje existe, Sobral, jornais, o Derby Clube e construía, a partir de 1877, o Teatro São João terminado décadas antes do teatro de José de Alencar da capital, que é de 1910. A riqueza da pecuária foi responsável por tal desenvolvimento. E como a capital, depois por conta da centralização administrativa, se tornasse mais populosa e mais rica, Sobral gostava de reviver o fausto d’antanho, o brilho de épocas passadas. Eis ai a razão de seu bairrismo.

Não sei se as mesmas razões ditam a má vontade dos paulistanos contra Campinas, dos filhos de Porto Alegre contra os de Pelotas, cidades que são apontadas como reduto de veados, habitadas, em sua maioria, por homossexuais. Será que sua sofisticação intelectual e social suscita tal má vontade das capitais de seus respectivos Estados.

***

Para se identificar com a linha da publicação de revista semana, conhecido escritor acusa Ruy Barbosa de conceder algumas nomeações a eleitores no Ministério da Fazenda quando no exercício do posto. É fácil julgar figuras históricas, fora do contexto de seu tempo, pelos conceitos de hoje.

Da mesma maneira, ele poderia questionar Machado de Assis por haver entrado no serviço público, a que dedicou toda a vida, pela janela, sem atender a exigência de concurso.

Ora, bolas.

Ao tempo de Ruy, só havia um empregador, o Estado. Se ele era assediado por correligionários e conterrâneos por empregos, só podia alojá-los na máquina estatal. Ou iria encaminhá-los a Esso? Ao Bradesco?

Leitor mais informado lembra:

- E a Light?

Ai diria que a Light, empresa estrangeira, não podia se dar a tais dispêndios. A não ser em casos especiais. Foi ali que Ruy Barbosa se empregou como advogado, com o patrocínio de Pinheiro Machado, então seu amigo.

Quanto a escritores e jornalistas, quase todos, conseguiu emprego publico, graças ao prestígio dos jornais em que escreviam. E pelos quais eram miseravelmente remunerados, quando eram. Naquele tempo, esta era a regra.

Quando cheguei a Brasília, há trinta e tantos anos atrás, tive um colega do Maranhão, José Arimateia Ataíde (que os colegas maldosamente chamavam Ataúde por ser encarregado de escrever o obituário das personalidades) ganhou questão na Justiça contra jornal que o demitira por assumir emprego público. Sabem o que ele alegou em sua defesa? Entrevista do dono da Folha, que proclamando a dificuldade de remunerar condignamente, seus funcionários, se declarava favorável a que arranjassem bico no serviço público.

A propósito, de quando em vez, historiador ou sociólogo descobre isto e edita livro, contendo severas observações sobre a cooptação de intelectuais pelo Estado Novo, através de empregos dados pelo ditador Getulio Vargas.

Embora ele haja instituído o concurso público, com a criação do DASP, o provimento de emprego continuou a ser, na maioria, através de pistolão, do apadrinhamento de figurões. Nem sempre importou em compromisso de elogiar o governo.

Muitos defendiam o governo porque haviam sido aquinhoados com o polpudo emprego de fiscais do imposto de consumo, marajás daquela época. Outros, simplesmente, porque queriam ficar de bem com o poder de então.

Havia outros que se empregavam por necessidade. A maioria. Foi o caso de Gracialiano Ramos que, depois de preso e humilhado nas masmorras do Estado Novo, conseguiu emprego público. De inspetor do ensino, na prefeitura do Distrito Federal, cujo titular era nomeado pelo Presidente da República. Precisava do bico para sustentar a família o que não conseguia com renda de direitos autorais nem com o salário de revisor do Correio da Manhã.

Não dá para julgar Ruy,.Machado ou Graciliano,pelos critérios da atualidade.Quando o Brasil mudou,é muito outro,diferente do país de seu tempo.

E os eufóricos?

Não sei porque cargas d’água não aprecio eufóricos. Os que parecem tão satisfeitos consigo mesmo que querem nos comunicar esta alegria e as razoes dela. O que faz questão de problema com gritos, abraços, palmas para chamar a atenção. Prefiro muito mais os que se portam discretamente, seja numa hora de tristeza, seja na euforia das comemorações.

Outro que não me entusiasmo é o campeão do sexo. O conquistador bem sucedido que está sempre falando das lebres que abateu, cujo nome declina, cujo pai ou marido faz questão de nos dizer. E nem mesmo em voz baixo.

Há outro igualmente desagradável o eufórico com o poder, a proximidade do poderoso. Que quer falar no prestigio de que desfruta com o importante da atualidade a ponto de testemunhá-lo nas situações mais intimas. Em tais transes quer a presença e a proximidade do amigo e do admirador.

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(*) Lustosa da Costa (Sobral), jornalista e escritor.

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Lustosa da Costa
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