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Maio 2009

Um saudosista incurável


A vida não me deve nada. Muito pelo contrário.Tem-me dado o que, às vezes, nem esperava embora achasse que merecia. Isto não impede que seja saudosista sempre achando que posso ainda hoje tirar do passado o que não soube extrair no tempo certo. Vivo bem o presente mas nao deixo de perseguir boas coisas pretéritas para com elas me regalar.

Isto fez com que procurasse e conseguisse localizar,em Lagoa Seca ,pertinho de Campina Grande, o agricultor João Guimarães , filho de seu Socrátes Carapeba, da Serra da Meruoca, colega de seminário desde 1949 que não via há cinquenta e seis anos. Desde junho de 1953. Convidei-o a deixar seu sitio onde pratica agricultura sem agrotóxico e vir a Fortaleza para a festa de lançamento de minha biografia. Veio, de longa barbas nazarenas,a ponto de levar um colega daquele tempo, a lhe beijar as mãos, supondo-as de alguém que fora em frente e chegara ao sacerdócio. Mantivemos tres longos encontros de recordação e saudade e foram momentos muito prazerosos. Depois é que me dei conta de que minha felicidade residia na ilusão de estar revivendo os onze,doze,treze anos em que nos conhecemos e convivemos. Guimarães é um matuto cheio de ciência. Tem um filho camioneiro,outro que representa a IBM em Nice,França e um terceiro que no País de Gales o abastece de netos ingleses, súditos de Sua Majestade.

Pois bem para a festa sobralense descobri outro colega destes tempos que não via desde 1967,João Batista Nogueira,filho da Santana que se estabeleceu em Teresópolis/RJ onde foi vereador e tem um hotel mimoso,com o nome de Hotel do Rio dos Frades. Prometeu aparecer em Sobral, para a noite de autógrafos na Biblioteca Lustosa da Costa mas um achaque o deteve em casa pelo que se limitou a se fazer representar por flores.

Malgrado esta ausência a festa de lançamento do livro deixou me feliz muito feliz diante daquelas fisionomias amigas e muito queridas. Tenho de ser grato ao prefeito Leonidas Cristino que presidiu a solenidade e a seu secretario de cultura Joan Edesson que a organizou e às personalidades que disseram presente à sua convocação.

Durante a festa ,recordei antigas musas da adolescência uma delas por quem fui perdidamente apaixonado e que acabara de encontrar,no avião,vindo de Brasília,de peregrinação pelo MEC, resolvendo problemas de ensino do Ceará. Foi paixão roxa. E desesperada. Desesperada pela falta de coragem que me emudecia e não me permitia dizer lhe de minha paixão avassaladora. Limitei-me a lhe dardejar olhares gulosos,vorazes que,tenho a impressão,de que eram,de alguma maneira, correspondidos.

Muito tempo depois, visitei o Colégio de Santana e lá irmã Sara me permitiu ver o quadro de formatura em que ela terminara o curso normal. Com a pieguice habitual .indaguei da freira:

“Ainda continua bonita?

”A irmã replicou no ato:”Bota quarenta anos em cima

”. Hoje seriam cinqüenta ou mais.

Sentei me,por acaso, a seu lado na poltrona do avião e conversamos sobre Sobral e sua gente,como velhos conhecidos que se reencontro eu sempre me resguardando de lhe indagar se ela era “ela” aquela a quem adorara nos meus dezessete anos. Isto não impediu que vivesse momentos extremamente felizes, nutrindo a ilusão de que estava ao lado de quem amara,na juventude e que,agora,estava ao alcance da mão. Não estava,não. Agora,nos separavam daqueles tempos de enleio e encantamento., não apenas nossos casamentos,quanto cinquenta anos passados. Meio século que passara sobre nós com a marca devastadora do tempo. O certo é que a timidez retornou e não tive coragem de indagar se ela era mesmo a musa de minha juventude ou se vivia eu mais uma ilusão. Desci do avião, na dúvida e nela permaneci embora agradeça a Deus a ilusão daqueles momentos,vividos no alto dos céus,ao lado de quem fora, .nos tempos de jovem, tão amada,desejada.

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(*) Lustosa da Costa (Sobral), jornalista e escritor.


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Lustosa da Costa
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