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Outubro 2008

Costa do IAPC


“Seu”Costa era oriundo de família humilde. Meu avô, o velho Chico Bento,chegou a matar porco no morro do moinho,em Fortaleza, para assegurar o sustento e da prole. A avó materna,Vitalina, precisou at passar roupa,engomar para ajudar a manter a familia,no tempo das vacas magras. Alias,não havia vacas, nem magras,muito menos gordas.Era mulher atirada que se fez comadre de gente importante a que recorria para encaminhar os filhos. Apesar de tal nascimento modesto, meu pai cultivava hábitos civilizados.

Nos nossos tempos de residencia em Sobral, lá em casa,sempre houve piano,embora ninguém se interessasse por aprender a tocar o nobre instrumento muisal. E mobília antiga de jacaranda entalhada. Ele degustava rãs que,então,ainda não se chamavam rãs e,sim gias e eram criados, ao pé do pote, da jarra dagua para consumo familiar .Fabricava cerveja que,à falta de refrigeraão, detonava as tampas metálicas no silêncio cavo das madrugadas.

Bem que ele tentou e você verão a seguir que fosse alguma coisa na vida.Até se esforçou.Em vão. Aos sete para oito anos,me fez subir ao palco da Casa Proquial de Groairas para ler discurso que escrevera. Logo mais,aos nove anos, recebi dele caderno,de capa dura, para iniciar meu diário que foi,como tenho dito,relato apaixonado,faccioso da campanha eleitoral de Jacinto Antunes à prefeitura de Sobral em 1947.

Levava-me às enfadonhas reuniões da Congregaão Marina e da Conferencia dos Vicentinos. Sem falar nas visitas que fazia residência do erudito cego,monsenhor Fortunato Linhares que lhe falava dos tempos anteriores à separaão dos continentes em que o mar banhava a serra da Ibiapaba, se bem me lembro. Pos-me a estudar com os frades franciscanos alemães porque o estudo era bom e barato.Aos 15 anos,pretensioso como sempre fui, lhe pedi de presente de aniversario o grosso exemplar da “ Treplica” ,de Carneiro Ribeiro a seu ex-aluno Ruy Barbosa,por conta da redaão do anteprojeto do Codigo Civil. Lá em casa, foi ressuscitada a Academia Sobralense. Quando , mais tarde, sai do seminário, encontrei em casa,régio presente que li, logo, curioso,algo escandalizado. Eram as principais obras de Gilberto Freyre, “Casa Grande & Senzala”, “Sobrados e Mucambos” mais” Nordeste” . Li ,ainda, “ Nordeste” , de Silva Mello,outro livro precioso. Viu,com simpatia, minha subida ao palanque eleitoral de Chico Monte e Paulo Sanford,em 1954,para proferir discursos a favor da eleião de ambos. Em casa redigia,sozinho,o jornalzinho “0 Reino de Cristo” ,da Congregaão Mariana. E me conseguiu com Adonias Carneiro,gerente do “ Correio da Semana”, que ainda hoje circula,.oportunidade de ali trabalhar e publicar,em final e agosto, o primeiro artigo assinado.

Era considerado bom orador popular dos tempos em que a garganta do orador era quem comandava o espetáculo pois ainda não havia microfones nem alto falantes. E se vangloriava se receber mais aplausos que um cara, de educaão regular, excelente formaão cultural do Seminário, Edgard Linhares que ainda hoje está na moda nos meios educacionais. Gostava de contar o que o Bispo dizia de suas intervenões “ Vem o Edgar e pronuncia conferencia erudita, escorada em autores celebres. Depois o Costa dá uns três a quatro gritos e é quem recebe palmas.”

Os nossos padres

Nossa casa vivia cheia de padres cuja amizade meu pai cultivava. Ele se orgulhava de certa feita ver dezesseis chapéus eclesiásticos sobre a mesa de jantar, indicaão de quão benquisto era do clero,o que levava o doutor José Saboya a ironizá-lo chamando-o “Mons Costa”. os padres exerciam o controle da sociedade através de códigos rígidos cobrados no silencio dos confessionários ou do alto dos púlpitos e influíam, acintosamente, na atividade político partidária.As mulheres não podiam comparecer aos templos trajando roupas decotadas, sem mangas. Ninguém poderia brincar o Carnaval, festa que era um sucesso na cidade, apesar do interdito do bispo e dos padres.D.José falava das senhoras e senhoras sobralenses ,que se entregavam a tais folguedos, como messalinas a quem aguardava o fogo do inferno.

Não exercia ,porém, nenhum controle sobre a alegria de viver do pupilo amado,Padre José Palhano de Saboya, apontado,em manchete do “Diário do Povo”,como freqüentador,junto com a namorada, de apartamento no Excelsior Hotel, sem que tal revelaão gerasse abalo no prestigio perante o chefe e protetor.

Quem aparecia muito lá em casa era ele, o padre Palhano de Saboya, delfim do bispo, que atroava a cidade com o ruído de sua poderosa motocicleta, andava no automóvel de luxo do bispo, e, por fim, voava em seu avião, consolidando,ainda, merecida fama de dom Juan. Quando meu pai o levava ao tratamento médico, no final da vida, lamentou-se

“ Costa, tive tantas mulheres e hoje morro sòzinho”.

Dona Dolores, que vinha no banco de trás do carro ,o repreendeu e ele se desculpou: ‘

Não me lembrei, Maria, que você vinha conosco”.

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Lustosa da Costa
Jornalista e Escritor

                                            


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