Boa madrugada, sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
Casa do Ceará

Imprima



Ouça aqui o Hino do Estado do Ceará



Instituições Parceiras


































:: Jornal Ceará em Brasília



— Última Edição —
— Edições Anteriores —

Untitled Document

Junho 2013

Dia da Alegria

Tanto mudou o ritmo de vida que a pergunta, inusitada, se apresenta:- Será que a Terra está girando mais depressa, e por isso o tempo encurtou? Os dias são uma sucessão de compromissos a saldar, e como uma ladainha, escrita num missal, se enfileiram nas páginas de uma agenda para não serem esquecidos! Sem ajuda, de cor, impossível guardar na memória!

Fluem os minutos, as horas, e no roldão se vai o tempo, o dia inteiro tomado pelos tratos assumidos! O trabalho, as compras infalíveis, o dentista, a aula de inglês, a academia e quase cronometrado se esfacela, em parcelas, o tempo! Se o cargo é de chefia, mais se dividem as frações com as inesperadas visitas, os assíduos telefonemas, reuniões, os convites sociais, obrigatórios, que por força do ofício urge comparecer.

Perde-se a noção da posse de si mesmo, deixa de ser pessoal e particular o tempo, sempre voltado para algo inadiável, intransferível e urgente! Assoberbado, paradoxalmente nunca se tem tempo, os olhos voltados para o pulso, onde um mostrador gigante, carrasco,expõe os minutos passando, os ponteiros rodando, exigindo a paga dos compromissos, carimbados na agenda quando o dia começou!

Como uma máquina, autômato, escravo dos interesses que criou, pobre mortal, nem se dá conta de que na voragem do tempo está passando a vida! E relegado o coração! Não há tempo para o amigo, a conversa amena é sempre adiada, e protelada a risada com o irmão, lembrando os velhos tempos! Não chega, nunca, a hora tranqüila sem a obsessão dos ´ponteiros, para rir e brincar como antes, um dito, uma piada, simplesmente passar o tempo com aqueles cuja presença não exige artifício e nem formalidade. Ah! o Dia da Alegria, sem a preocupação da importância, do cargo, do que se adquiriu, sem a dissimulação das mesuras e dos trejeitos, onde só o coração é rei, dando acolhida aos sentimentos espontâneos, simples, naturais.

Inesperadamente, certo dia, surpreende a vida com um fato, um acidente, uma trágica ocorrência, uma notícia triste, e ante a ameaça de se perder uma pessoa querida, aquela que o coração tinha elegido como um dos preferidos, se larga tudo, e se corre, pressuroso, trêmulo e ansioso. Todos então se reúnem, só agora relegados o cargo, a repartição, o escritório, as tarefas, o relógio. Os indefectíveis compromissos. Mas, que pena, não é a reunião convocada para o Dia da Alegria, que poderia ter sido na semana que passou, ou um mês antes, entre sorrisos e festa.Então se recordaria passagens da infância e da adolescência, o tempo de colégio, as peripécias dos anos verdes, adoráveis, quando juntos se disputava o travesseiro, o lençol, o par de meia. Em família grande, sempre há o que disputar ou dividir. Voltariam os doces apelidos, outrora detestados: “ei, samangolé”, “ei, bode ouro!”, “ei, potó”, “ei, tronco de amarrar onça”! A resposta não viria com tabefes e socos como antes, quando crianças, mas com o riso franco das lembranças queridas.

Perdido o Dia da Alegria, estremecido o coração, o encontro se faz entre apreensões e lágrimas, tristeza e ansiedade. Em vez da risada, o silêncio, e as recordações se aquietam em cada um, mudas, cabisbaixas, temendo aparecer, com medo que provoquem mais dor e mais saudade.

Ah! cada um deveria instituir seu Dia de Alegria para juntar os mais queridos, e sem pressa simplesmente viver. Usufruir da graça de amar, e contar com a presença daqueles que entre os bilhões que povoam este planeta, o coração elegeu como primeiros e os mais queridos do mundo!

(*) Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora

Untitled Document

Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
:: Outras edições ::

> 2015

– Outubro
Camaleões à solta

–Setembro
Um instante de Solidariedade

> 2015

– Novembro
Coronel Chichio

– Outubro
Uma ponte...

– Setembro
Um verbo para o encantamento

– Agosto
Há vida lá fora...

> 2014

– Setembro
Seca: a tragédia se repete
– Agosto
Seca: a tragédia se repete
– Julho
Gente brava
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2013

– Dezembro
Na festa do tempo, um brinde à vida
– Novembro
Em velha trova do tempo. Trinta dias tem setembro. Abril, junho, novembro...
– Outubro
O Gênio e o Homem
– Agosto
O Gênio e o Homem
– Julho
Um presente de vida a Mandela!
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2012

– Dezembro
As lições de amor e ternura fazem eterno o Natal
– Novembro
As luzes estão acesas
– Outubro
Amarga ironia
– Setembro
O trono vazio
– Agosto
A última trincheira
– Julho
Parece que foi ontem...
– Junho
Atores de todos os tempos
– Maio
Seca: a tragédia se repete
– Abril
Imaginação ou realidade?
– Março
Um Século de Sabedoria
– Fevereiro
Trágedia e Carnaval

> 2011

– Novembro
Trilhas da vida
– Setembro
Um mercenário a caminho
– Agosto
Usar sem abusar
– Julho
Como as aves do céu
– Maio
Quem se lembra de Chernobil?
– Junho
Sino, coração da aldeia...
– Maio
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Abril
Bonn, Bonn
– Fevereiro
Depois da festa...
– Janeiro
Um brinde ao Novo Ano

> 2010

– Dezembro
Nos limites de um presente,um presente sem limites
– Novembro
Homem total
– Outubro
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Setembro
Um tempo que se perdeu
– Agosto
Império do Medo
– Julho
Acenos de Esperança
– Junho
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Maio
Poema Impossível
– Março
Numa tarde de verão
–Fevereiro
Caminhos de ontem
– Janeiro
Muros de Argila

> 2009

– Dezembro
Um Brinde à Vida
– Novembro
A vez da vida
– Outubro
Gente brava
– Setembro
Gente brava
– Agosto
Lição de vida no diálogo dos bilros
– Julho
Camaleões à solta
– Junho
Síndrome de papel carbono
– Maio
Um tempo que se perdeu


:: Veja Também ::

Blog do Ayrton Rocha
Blog do Edmilson Caminha
Blog do Presidente
Humor Negro & Branco Humor
Fernando Gurgel Filho
JB Serra e Gurgel
José Colombo de Souza Filho
José Jezer de Oliveira
Luciano Barreira
Lustosa da Costa
Regina Stella
Wilson Ibiapina
















SGAN Quadra 910 Conjunto F Asa Norte | Brasília-DF | CEP 70.790-100 | Fone: 3533-3800
E-mail: casadoceara@casadoceara.org.br
- Copyright@ - 2006/2007 - CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA -