Boa noite, sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019
Casa do Ceará

Imprima



Ouça aqui o Hino do Estado do Ceará



Instituições Parceiras
































:: Jornal Ceará em Brasília



— Última Edição —
— Edições Anteriores —

Untitled Document

Setembro 2017

Um instante de Solidariedade

Era uma interminável fila colorida. Estampado em cada rosto o desencanto, o cabelo em Desalinho, áspera a pele, via-se, duramente ao sol, ao vento, ao frio. Uma procissão de necessidades, vestida de cores vivas, aguardando a vez, de sacola à mão.

O ano inteiro esperaram aquela hora, juntando dia a dia as minguadas moedas que avaramente tinham guardado da lavagem da roupa, da faxina nas casas ricas. E ali estavam, em expectativa, às duas da tarde, o sol a pino, esperando o instante de comprar.

Momentaneamente ficaram relegados o trabalho, a roupa da freguesa, o barraco, para poderem chegar à hora marcada e ter acesso à “sala mágica” onde por um preço simbólico, poderiam comprar a blusa da menina, o cobertor do menino, a sandália do “mais pequeno”. E quanto mais de” necessida- des” quisesse, que o Natal  já vinha, e precisava guardar para a surpresa da “ Noite Feliz”. Lá estavam  empilhadas, em profusão, calças jeans, blusinhas de verão, casaquinhos de frio, brinquedos, e eu vi o brilho dos olhos em cada rosto, na expectativa do preço, quase de graça. Era uma oportunidade única que não se podia perder!

Atendendo, sugerindo ora o agasalho, ora o cobertor, a panela de pressão, o balde colorido, um grupo solícito liderando a festa, fazia daquele pequeno comércio um fato extraordinário, totalmente envolvidas.  E eu me dei conta de que na descrença que grassa  mundo afora, poucos atentam para o valor de um trabalho como aquele, feito sem alarde. no anonimato, sem a preocupação de impressionar ou rece- ber retribuição. Aparentemente desprovido de importância ou significação. Ali, como em outros recantos desse velho mundo, um esforço silencioso e voluntário se realiza, doação de tempo, doação de ajudar, generosidade que extravasa e chega a outrem. Alternando os dias, aquelas senhoras deixam o conforto da bonita casa ou do apartamento e vão para onde a necessidade chama. Umas, ensinam corte e costura num barracão ao lado da igrejinha, outras dão noções de higiene, outras ensinam tricô. O doutor que eu conheci  clinicando nos melhores hospitais, ali, aposentado, deixou a clientela rica para atender aos que não podem pagar. Consultando aquela gente humilde, distribui gratuitamente os medicamentos, como um novo  Lucas,” médico de homens e de almas”, minorando o sofrimento alheio. Com prodigalidade abre as comportas do coração e se propõe a uma tarefa que não lhe dá lucro, nem sucesso.  Apenas a certeza de responder ao apelo e ajudar. De não se omitir, e com a capacidade que possui, dividir com aquele que pouco recebeu  mas que é filho do mesmo Pai, com igual direito à dignidade.

Diante dessa avalanche de incoerências que se alastra, uma  íntima  satisfação  se  associa  à  constatação  de  que alguns, voluntariamente, sem visar retribuição, dão de si, tempo, preocupação,  objetivo, e transformam a alegria alheia na sua própria alegria, e ao suprir as necessidades alheias, transformam a satisfação dos outros na sua ´própria realização interior.

Rico de valores, rico de conteúdo, amplo numa visão espiritualista, aquele grupo que eu vi, atendendo, solícito, os mais carentes, me encheu de esperança. Tão pequeno, contudo, na imensidão de necessidades, nesse universo de desigualdades!

Estou certa de que é por aquela generosidade, por esses que abrem as comportas do coração, e deixam extravasar o bem, que ainda não desabou o céu, não ressecou a terra e se mantem ainda de pé  o  mundo.

(*)Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora.

Untitled Document

Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
:: Outras edições ::

> 2015

– Outubro
Camaleões à solta

–Setembro
Um instante de Solidariedade

> 2015

– Novembro
Coronel Chichio

– Outubro
Uma ponte...

– Setembro
Um verbo para o encantamento

– Agosto
Há vida lá fora...

> 2014

– Setembro
Seca: a tragédia se repete
– Agosto
Seca: a tragédia se repete
– Julho
Gente brava
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2013

– Dezembro
Na festa do tempo, um brinde à vida
– Novembro
Em velha trova do tempo. Trinta dias tem setembro. Abril, junho, novembro...
– Outubro
O Gênio e o Homem
– Agosto
O Gênio e o Homem
– Julho
Um presente de vida a Mandela!
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2012

– Dezembro
As lições de amor e ternura fazem eterno o Natal
– Novembro
As luzes estão acesas
– Outubro
Amarga ironia
– Setembro
O trono vazio
– Agosto
A última trincheira
– Julho
Parece que foi ontem...
– Junho
Atores de todos os tempos
– Maio
Seca: a tragédia se repete
– Abril
Imaginação ou realidade?
– Março
Um Século de Sabedoria
– Fevereiro
Trágedia e Carnaval

> 2011

– Novembro
Trilhas da vida
– Setembro
Um mercenário a caminho
– Agosto
Usar sem abusar
– Julho
Como as aves do céu
– Maio
Quem se lembra de Chernobil?
– Junho
Sino, coração da aldeia...
– Maio
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Abril
Bonn, Bonn
– Fevereiro
Depois da festa...
– Janeiro
Um brinde ao Novo Ano

> 2010

– Dezembro
Nos limites de um presente,um presente sem limites
– Novembro
Homem total
– Outubro
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Setembro
Um tempo que se perdeu
– Agosto
Império do Medo
– Julho
Acenos de Esperança
– Junho
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Maio
Poema Impossível
– Março
Numa tarde de verão
–Fevereiro
Caminhos de ontem
– Janeiro
Muros de Argila

> 2009

– Dezembro
Um Brinde à Vida
– Novembro
A vez da vida
– Outubro
Gente brava
– Setembro
Gente brava
– Agosto
Lição de vida no diálogo dos bilros
– Julho
Camaleões à solta
– Junho
Síndrome de papel carbono
– Maio
Um tempo que se perdeu


:: Veja Também ::

Blog do Ayrton Rocha
Blog do Edmilson Caminha
Blog do Presidente
Humor Negro & Branco Humor
Fernando Gurgel Filho
JB Serra e Gurgel
José Colombo de Souza Filho
José Jezer de Oliveira
Luciano Barreira
Lustosa da Costa
Regina Stella
Wilson Ibiapina
















SGAN Quadra 910 Conjunto F Asa Norte | Brasília-DF | CEP 70.790-100 | Fone: 3533-3800
E-mail: casadoceara@casadoceara.org.br
- Copyright@ - 2006/2007 - CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA -