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Novembro 2008

A vez da vida


Ah! Você, tão apressado, que nem percebeu sequer o dia que amanheceu transparente, iluminado, como se fosse a meio! Habituado a cada manhã, com o sol que chega, claro, forte, iluminando a vida, e este azul do céu, profundo, que dá ganas de sorver o infi nito, você nem se dá conta da beleza que irrompe a seu redor! E passa por ela indiferente, sem ver, sem sentir, sem descobrir o detalhe da folhagem que, forte, se agarra, as pedras, na ânsia de subir e sobreviver, simples peculiaridade do imbé, sem sequer, notar a pequenina insignifi cante fl or, amarela, que se esparrama como um tapete para você pisar, e nada mais pleiteia que viver e colorir o chão, se misturando a relva.

Ah! Você nem reparou no gramado que ontem era cinzento, e agora se estirou, preguiçoso, e subiu a colina com o afago da chuva que lhe arrepiou as entranhas. Nem atentou para os fl amboyants que em vermelho levantam para o céu seu grito de vida, na explosão da cor! E o apelo que vem lá de dentro, incontida força e energia que lhe atravessava o cerne e irrompe pelo tronco, pelos galhos, e chegando à tona proclama aos céus e a Terra a graça da vida, a ânsia de se dar, de se mostrar, de se multiplicar. Nem percebeu que depois de erguer a amplidão a oferta de si mesmo, no colorido vivo de suas fl ores, vestido de rei, se da à terra e se esparrama ao chão, se dividindo em mu nas pétalas que tingem de sangue o verde do gramado, prolongando a oferta, a doaão.

Ah! Você não viu a carinha redonda das papoulas, brejeiras, brincando e rindo quando a brisa passou e lhe cochichou segredos. Nem a louca euforia das palmeiras, o afago dos galhos se torcendo, se tocando, se envolvendo, mágico baile, quando o vento, ousado, lhe bateu de cheio, irreverente, despertando-os do leve embalo em que se quedam.

Ah! Você não teve tempo! E como poderia gastar os escassos segundos que lhe sobram em detalhes corriqueiros, comuns, sempre presentes, se a preocupaão lhe toma por inteiro as horas, os dias, o próprio ar que respira, com os números na caderneta de notas, com os cifrões que se enfi leiram, dedo em riste, pedindo conta exigindo exclusividade. Como poderia mostrar, a butique, o vestido colorido bem verão que precisa usar! Como poderia, na obsessão de conseguir um lugar de prestígio no escritório, junto ao chefe, e gozar das regalias do poder? Como poderia, essas paredes do hospital, sempre alguém a chorar, a sofrer, a suplicar! E essa mesa dura, empedernida, tantos os processos! E essa preocupacão em concluir a tarefa, ontem começada. No colégio, na repartião, no consultório. O cliente esperando, o menino aguardando, o chefe exigindo! E a vida passando...

E aguardando para as férias, amanhã, a hora da festa, engalanada, hoje, para vocês, a terra! E aguardando para depois o instante da alegria, a descoberta da paisagem linda por onde você passa todo dia, indiferente, sem olhar! Aguardando para depois a hora de estender a mão, e simplesmente confessar sem nem querer. Aguardando, adiando, protelando sempre, a hora de ver, de sentir, de descobrir. De viver. Plenamente. Intensamente.

Agora é a vez do riso, a hora de dizer o verso, de cantar a poesia. De contar o segredo, de falar da dor, de dizer do amor. Agora é o instante de querer, de se dar, de ser feliz! Agora, o instante de colher a rosa. Agora é a hora. Hoje é a vida!

Houve um tempo em que as homenagens eram feitas aos heróis, aos cientistas, aos poetas, homens que acrescentavam ao mundo com o seu talento e a sua capacidade, abnegação e desprendimento. Nos tempos que correm, numa cidade do interior se faz um plebiscito para se aprovar a construção de uma estátua a um cangaceiro, bandoleiro do sertão que passava incendiando, pilhando, destroçando fazendas, plantações, suscitando pavor! Uma estátua a um homem do cangaço!

Triste sinal dos tempos

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Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
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