Bom dia, sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
Casa do Ceará

Imprima



Ouça aqui o Hino do Estado do Ceará



Instituições Parceiras


































:: Jornal Ceará em Brasília



— Última Edição —
— Edições Anteriores —

Untitled Document

Setembro 2009

Um tempo que se perdeu


Houve um tempo em que, tranqüilo, não havia a preocupação De fechar a porta que dava para a rua! Junto à calçada, Bastando apenas descer um batente, escancarada ela ficava o Dia inteiro! Por ali entrava e saia a meninada num infindável vai-vem, do quintal para a rua, da rua para o quintal, brincando de pique, de amarelinha, alternando a alegria, ora com a pipa no céu, ora com a cabeçulinha no chão. E a porta sempre aberta era um permanente convite para entrar e sair, comprar na bodega o papel fino de seda, colorido, para construir a arraia, escolher a linha da rabióla, e satisfazer a curiosidade na casa do vizinho. Nada de campainha, de olho mágico, de chave rolando na fechadura. Quando muito, um ferrolho, e era só enfiar a mão pelo postigo, desatrelar, e ir logo entrando.

Dormia-se em paz, a roupa no varal e a janela aberta, para a fresca da n oite e para olhar a lua cheia, declamando versos. Ouvia-se apenas, no silêncio, o "nhen-nhen" de uma rede em dolente cantoria, no preguiçoso vai-vem da corrente e do armador, pra lá e pra cá embalando alguém.

Feliz tempo que se perdeu. Em chegando, junto à porta, bastava um bater de palmas e se era prontamente atendida, e outras vezes um " oi de casa" apenas antecipava as passadas no longo corredor, que a voz amiga era de imediato conhecida para uma doce acolhida.Não havia este terrível medo, de todos e de tudo, do intruso, do ladrão, do malfeitor. Não se falava em raptos, em assaltos. Nem em AIDS, nem em dengue! Nem na terrível ameaça de, num segundo, se estilhaçar o mundo, reduzido a escombro, aquietado no terrível silêncio do não ser!

Num instante e tudo pode acabar, sob a simples pressão De um dedo num botão! Centenas, mil bombas, mais de mil, que sei eu da insensatez, guardadas, com propaladas juras de serem apenas garantia, mantendo uma ameaça, evidenciando uma superioridade! Com alguns milhões, e se expões a humanidade à sanha desarvorada da loucura, transformando, todos, em polichinelos, meros joguetes, submissos, pela desvalia dos nossos protestos. Há uma desconfiança geral de que haja um segredo guardado a sete chaves, engenhos nucleares escondidos, terríveis arsenais secretos, distribuídos pelo planeta, sem controle algum. Um permanente perigo, qual gigantesco cutelo sobre esta nave espacial e este pobre mortal que ingenuamente se julga detentor da vida, indefinidamente.

Ironia, ansiando pela vida, aportam a este planeta, cada dia, milhares de inocentes, e na esperança, adolescentes e jovens se dão as mãos, sem sequer imaginar que nos subterrâneos da Terra a morte passeia, espreitando-os. E na ingenuidade, nós e eles, todos, indistintamente, fazemos juras de amor, Mantemos acesa a fé, enquanto a morte corcoveia!

Ah! Maldito cogumelo, aquietado, manietado, mas latente, que o homem na sua insanidade concebeu, e que em Hiroxima Brotou nos céus como uma projeção do mal! B rança flor, Negra flor, gigantesca, degradante e perversa que arrebata a vida e a aniquila!

Pudesse, a tempo o homem refletir, recuar, sustar a mão que trama, e destruir para sempre essa visão horrenda!

Esta manhã, na minha janela, esplendorosa, uma rosa vermelha desabrochou. Pujante de vida e plena de orvalho se ofereceu ao mundo na sua tenra haste. Tão patente o contraste, fragilidade e força, que só o amor, pensei ao vê-la, poderia conceber uma rosa... E me agarrei, obstinada, à vida.

(*) Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora, como um grito gigantesco de esperança .

 

Untitled Document

Regina Stella S. Quintas
Jornalista e Escritora
studartquintas@hotmail.com

                                            
:: Outras edições ::

> 2015

– Outubro
Camaleões à solta

–Setembro
Um instante de Solidariedade

> 2015

– Novembro
Coronel Chichio

– Outubro
Uma ponte...

– Setembro
Um verbo para o encantamento

– Agosto
Há vida lá fora...

> 2014

– Setembro
Seca: a tragédia se repete
– Agosto
Seca: a tragédia se repete
– Julho
Gente brava
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2013

– Dezembro
Na festa do tempo, um brinde à vida
– Novembro
Em velha trova do tempo. Trinta dias tem setembro. Abril, junho, novembro...
– Outubro
O Gênio e o Homem
– Agosto
O Gênio e o Homem
– Julho
Um presente de vida a Mandela!
– Junho
Dia da Alegria
– Maio
Precioso bem
– Abril
Aquele velho “OSCAR”
– Março
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Fevereiro
Recado para quem sai
– Janeiro
Rota para a vida

> 2012

– Dezembro
As lições de amor e ternura fazem eterno o Natal
– Novembro
As luzes estão acesas
– Outubro
Amarga ironia
– Setembro
O trono vazio
– Agosto
A última trincheira
– Julho
Parece que foi ontem...
– Junho
Atores de todos os tempos
– Maio
Seca: a tragédia se repete
– Abril
Imaginação ou realidade?
– Março
Um Século de Sabedoria
– Fevereiro
Trágedia e Carnaval

> 2011

– Novembro
Trilhas da vida
– Setembro
Um mercenário a caminho
– Agosto
Usar sem abusar
– Julho
Como as aves do céu
– Maio
Quem se lembra de Chernobil?
– Junho
Sino, coração da aldeia...
– Maio
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Abril
Bonn, Bonn
– Fevereiro
Depois da festa...
– Janeiro
Um brinde ao Novo Ano

> 2010

– Dezembro
Nos limites de um presente,um presente sem limites
– Novembro
Homem total
– Outubro
Estórias de sertão, estórias de cangaço
– Setembro
Um tempo que se perdeu
– Agosto
Império do Medo
– Julho
Acenos de Esperança
– Junho
Maio, cada vez menos Mês de Maria, está indo embora...
– Maio
Poema Impossível
– Março
Numa tarde de verão
–Fevereiro
Caminhos de ontem
– Janeiro
Muros de Argila

> 2009

– Dezembro
Um Brinde à Vida
– Novembro
A vez da vida
– Outubro
Gente brava
– Setembro
Gente brava
– Agosto
Lição de vida no diálogo dos bilros
– Julho
Camaleões à solta
– Junho
Síndrome de papel carbono
– Maio
Um tempo que se perdeu


:: Veja Também ::

Blog do Ayrton Rocha
Blog do Edmilson Caminha
Blog do Presidente
Humor Negro & Branco Humor
Fernando Gurgel Filho
JB Serra e Gurgel
José Colombo de Souza Filho
José Jezer de Oliveira
Luciano Barreira
Lustosa da Costa
Regina Stella
Wilson Ibiapina
















SGAN Quadra 910 Conjunto F Asa Norte | Brasília-DF | CEP 70.790-100 | Fone: 3533-3800
E-mail: casadoceara@casadoceara.org.br
- Copyright@ - 2006/2007 - CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA -