Bom dia, segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019
Casa do Ceará

Imprima



Ouça aqui o Hino do Estado do Ceará



Instituições Parceiras


































:: Jornal Ceará em Brasília



— Última Edição —
— Edições Anteriores —

Untitled Document

Julho 2012

As armas e os barões assinalados

Nos períodos do Brasil Reino e Brasil Império foram com concedidos 1.400 títulos de nobreza à plebe colonial, a fina flor da lavoura, a elite escravocrata, a classe dominante imperial. Dom João VI foi mais comedido, concedendo apenas 254. Nos nove anos de dom Pedro I, foram poucos, 150. Na Regência, não houve concessão de títulos, felizmente. Nos 48 anos de reinado de dom Pedro II, a torneira foi aberta e mil títulos concedidos, quase 20 por ano. Houve uma chuva de concessões principalmente de barão sem grandeza, os magnatas do café, sendo que entre 1878 e 1889, 370 e 150 nos dois últimos anos do Império, 1888 e 1889.

Em 1829, a Aurora Fluminense, fez crítica aberta à torrente dos títulos, escrevendo: “A monarquia portuguesa, fundada há´736 anos, tinha em 1803, época em que foi reformado o quadro, 16 marqueses, 26 condes, 8 viscondes e 4 barões. O Brasil, que tem 8 anos como potência, conta já no seu seio 28 marqueses, 8 condes, 16 viscondes e 21 barões”.

A Aurora não imaginaria o que viria mais tarde. Era só o começo.

Em 1869, a grande concentração da nobreza titulada estava na Corte, 55 deles, além de outros 39 na Província do Rio de Janeiro, 24 na Bahia, 22 em Pernambuco, 19 em Minas Gerais, 17 em São Paulo, 10 no Rio Grande do Sul e na Paraíba 4 em Mato Grosso e Sergipe, 3 em Alagoas e no Maranhão, 2 no Ceará e Pará, 1 no Espirito Santo, Paraná e Piauí, 11 no exterior e 13 sem localização (?). Não havia nobreza no Amazonas e no Rio Grande do Norte!

Em 1869, o pais tinha 239 nobres, sendo 1 duque, 11 marqueses, 11 condes, 36 viscondes, e 180 barões.

Em 1879, pulou para 320 nobres, sendo 1 duque, 7 marqueses, 8 condes, 55 viscondes e 249 barões.

No final do Império, em 1889, ou como queira, a República encontrou Brasil dentro e afora a 387 nobiliarcas, sendo marqueses, 10 condes, 54 viscondes e 316 barões.

Dom Pedro II exercitou com prodigalidade a arte de concessão de títulos de nobreza. A grande cobiça à nobreza no Brasil deu-se com grande velocidade no seu reinado fazendo contraponto com austeridade da gestão pública.

Teria começado em 1847, com a fixação de regras para concessão do uso de brasão de armas, em que se exigia “precedência da justificação da nobreza’, com base numa Provisão de 1807, que impunha “aos pretendentes a obrigação de produzirem, além das testemunhas, documentos autênticos, que provem legalmente pertencerem eles às famílias, com que querem entroncar-se”. Mera formalidade que seria anotada pelo Juízo dos Feitos da Fazenda, com audiência do Procurador dos Feitos.

A concessão de títulos e brasões exigia também a “uma carta de mercê” que custava caro. Alias, o nobre teria que abrir a bufunfa para adquirir e portar um título. O título de duque 2:450$000 (dois contos e quatrocentos e cinquenta mil reis); marques 2:020$000 (dois contos e vinte mil reis), conde, visconde e barão com grandeza 1:575$000 (um conto e 575 mil reis), barão “sem grandeza” 750$000 (setecentos e cinquenta mil reis).

Habilitado a ser nobre, choviam os pagamentos: só a carta de brasão de armas seria emitida custava 170$000 (cento e setenta mil reis). As despesas totais, com impostos, emolumentos, papel, lavratura, escritura, selos, carimbos, gorjetas, etc e tal, chegavam ainda 366$000 (trezentos e sessenta e mil reis), sendo 30$000 pelo requerimento a S.M o Imperador, pergaminho para álbum quatro folhas, 32$000; carta de nobreza e fidalguia em caracteres góticos dourados, 130$000; Cópia das armas para Secretaria do Imperador 25$000; cópia para o arquivo do Rei das Armas, 25$000, composição de Armas Novas , 40$000; escrevente da Carta de Nobreza, 40$000, despacho à Secretaria do Império, 10$000. Emolumentos do Escrivão de Nobreza e Fidalguia, 50$000; Ditos do Rei das Armas, 50$000; Novos Direitos no Tesouro 20$000; Selo da Carta de Nobreza 70$000. O uso indevido de títulos condecorações e brazões viria s ser qualificado de estelionato e assim punido
em 1871;

Havia também as “mercês honoríficas” : títulos de duque, marques, conde, visconde e barão. ; títulos de Conselho e os tratamentos de Excelência e Senhoria, empregados da Casa Imperial, Condecorações das várias ordens do Império, graduações militares honorárias. Rapapés, mesuras, precedência nas festas imperiais faziam parte do roteiro.

A nobreza poderia usar coroas. Muitos foram buscar no tupi-guarani uma nova identidade, com uma relação próxima da localidade onde nasceram o que deram tintas indígenas à nossa nobreza, que não simpatizavam coma causa dos índios e dos negros. Só com suas plantações, minas, cartórios, exportações, importações, vendas ao Império, comércio, pecuária.

Os títulos eram pessoais e não hereditários. Isto não impedia porem que as mulheres dos nobres carregassem os títulos, no feminino, condessa, viscondessa, duquesa, baronesa. Na realidade, algumas mulheres (2,5% total) foram elevadas à nobreza por relevantes serviços prestados à Casa Imperial, o mesmo tendo acontecido com muitas viúvas de nobres mortos, que foram promovidas de classe.

Os nobres do Ceará teriam sido o Visconde de Cauipe, Severiano Ribeiro da Cunha (Caucaia) e os Barões de Aratanha, João Francisco da Silva Albano (Fortaleza), Aracati, João Pereira da Graça (Aracati),e da Ibiapiaba, Joaquim da Cunha Freire (Caucaia). O barão de de Studart, Guilherme Chambly Studart (Fortaleza) foi designado pelo Vaticano e o barão de Camocim, Geminiano Maia (Aracati) pelo Rei de Portugal, dom Carlos).

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor, com Lilia Moritz Schwarcz” em “Ar Barbas do Imperador”.

Untitled Document

JB Serra e Gurgel
Jornalista e Escritor
http://www.cruiser.com.br/girias
gurgel@cruiser.com.br


:: Outras edições ::

> 2017

– Outubro
Como os cearenses vem os cearenses nativos e forasteiros

– Setembro
Ascensão e queda de Cleto Meireles: Colmeia, Haspa e Cidade Ocidental

– Julho
Para a Forbes, o Califa Abu Bakral Bagdadi é a 57ª pessoa mais poderosa do mundo

> 2016

– Setembro
Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor

> 2015

– Novembro
Para a Forbes, o Califa Abu Bakral Bagdadi é a 57ª pessoa mais poderosa do mundo

– Outubro
Um cavaleiro andante que caminhou entre aforismos e citações

– Setembro
Por uma claraboia no meio do Salão Nobre do Palácio da Abolição

– Agosto
As cem edições do Jornal da Gíria. Um marco no mundo gírio

> 2014

– Setembro
Acopiara : “Meton, notas de uma vida”, uma trajetória e um exemplo

– Agosto
O Ceará poderia ter tido mais um presidente: Juarez Távora

– Julho
Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor

– Junho
Dionísia aumentou a presença de Acopiara na Siqueira Gurgel

– Maio
Estão querendo Revogar a lei do morro: não sei, não vi, não conheço

– Abril
Faça como o velho marinheiro...

– Março
Tereza Aragão Serra, uma lenda quase esquecida em Tauá

– Fevereiro
José de Alencar e a língua portuguesa

– Janeiro
Moreira de Acopiara - o poeta popular de Diadema/SP

 

> 2013

– Dezembro
A presença dos Cearenses na população de Brasília

– Novembro
O cearense que escolheu o local para implantação de Brasília

– Outubro
Acopiara – Tia Nenem uma guerreira entre os Guilherme

– Agosto
As citações que marcam o cotidiano de Osvaldo Quinsan

– Julho
O último apito do trem que passava por Acopiara

– Junho
Dionísia aumentou a presença de Acopiara na Siqueira Gurgel

– Maio
Estão querendo Revogar a lei do morro: não sei, não vi, não conheço

– Abril
Faça como o velho marinheiro...

– Março
Tereza Aragão Serra, uma lenda quase esquecida em Tauá

– Fevereiro
José de Alencar e a língua portuguesa

– Janeiro
Moreira de Acopiara - o poeta popular de Diadema/SP

> 2012

–Dezembro
O acopiarense Vicente dos dez mares e oceanos

–Novembro
A presença de marranos e ciganos no Ceará

–Outubro
No modo de dizer dos italianos, as raízes de expressões brasileiras

–Setembro
Nobreza Cearense: Barões e viscondes não assinalados

–Agosto
A linguagem de Paco, regional e universal

–Julho
As armas e os barões assinalados

–Junho
Acopiara - Eita Brazilzão sem porteira

–Maio
Acopiara - Nertan Holanda Gurgel. Auto retrato de um homem simples

–Abril
José Alves de Oliveira: “árvore velha não se muda”

– Março
A gíria presente na obra de Eça de Queiroz II

– Fevereiro
Miguel Galdino - uma vida pelas justas causas

– Janeiro
História do Ceará de todos nós, presentes e ausentes

> 2011

– Dezembro
A gíria ou o calão presente na obra de Eça de Queiroz

– Novembro
A gíria ou o calão presente na obra de Eça de Queiroz
– Setembro
Como o Ceará libertou seus 30 mil escravos
– Agosto
Manoel Edmilson Teixeira um homem simples e de bem
– Julho
Acopiara - Apelidos e o que não falta
– Junho
Acopiara -Zé Marques Filho, uma referencia de respeito
– Maio
Os cearenses do Rio de Janeiro
– Janeiro
Acopiara - não é só mineiro que é desconfiado

> 2010

– Dezembro
Acopiara – os brasileiros reclamam de que mesmo?
–Novembro
Marcas da presença do Ceará na Guerra do Paraguai
– Outubro
Como o Brasil começou a fabricar seu papel moeda
– Junho
Um cearense acima de qualquer suspeita
– Maio
Acopiara – O centenário de Alcebíades da Silva Jacome
– Abril
Acopiara e o Seminário do Crato
– Fevereiro
A queda de braço entre o Presidente Castello Branco e seu irmão Lauro

> 2009

– Dezembro
Os desencontros entre José de Alencar e dom Pedro II
– Novembro
Tem uma Teresa que foi a 1ª. mulher cearense a ser delegada da mulher em Brasília
– Outubro
Acopiara - Dom Newton 60 anos de padre, 30 anos de bispo
– Agosto
Acopiara - O passado é um pais estrangeiro
– Julho
Futebol cearense atravessa mau momento
– Junho
Acopiara – O Estrago da Crise Global
–Maio
Meu avô – Henrique Gurgel do Amaral Valente II
–Abril
Acopiara - Reverência aos nossos heróis anônimos
– Fevereiro
Acopiara vista à distancia, em cruzeiro
– Janeiro
Chico Sobrinho o líder do clã que fará 20 anos de poder em Acopiara

> 2008

– Dezembro
- Acopiara comemorou cinco centenários em 2008
– Novembro
- Acopiara – os 50 anos do padre Crisares.
– Outubro
-Acopiara – como nos despedimos dos que se foram
– Setembro
-Acopiara – Mazinho e Erosimar, os empreendedores
– Agosto
-Acopiara – Ezequiel partiu e deixou saudade
– Julho
- Acopiara - Meu avô, Henrique Gurgel do Amaral Valente
– Junho
- As mães que povoaram Acopiar
– Maio
- Chico Guilherme, a hora e a vez do Coronel




:: Veja Também ::

Blog do Ayrton Rocha
Blog do Edmilson Caminha
Blog do Presidente
Humor Negro & Branco Humor
Fernando Gurgel Filho
JB Serra e Gurgel
José Colombo de Souza Filho
José Jezer de Oliveira
Luciano Barreira
Lustosa da Costa
Regina Stella
Wilson Ibiapina
















SGAN Quadra 910 Conjunto F Asa Norte | Brasília-DF | CEP 70.790-100 | Fone: 3533-3800
E-mail: casadoceara@casadoceara.org.br
- Copyright@ - 2006/2007 - CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA -