Boa noite, quinta-Feira, 21 de Novembro de 2019
Casa do Ceará

Imprima



Ouça aqui o Hino do Estado do Ceará



Instituições Parceiras
































:: Jornal Ceará em Brasília



— Última Edição —
— Edições Anteriores —

Untitled Document

Novembro 2012

O acopiarense Vicente dos dez mares e oceanos

Alguns amigos tem me dito com alguma ênfase e credulidade que o Ceará foi colonizado por ciganos e marranos. Claro que não acredito.

Tenho procurado me inteirar e conferir informações.

O embaixador Rubem Amaral Junior, um curioso das coisas do Ceará, mas erudito, me disse: “ não creio que a eventual contribuição desses contingentes étnicos no Ceará tenha sido maior do que em outros Estados ao ponto de justificar a assertiva de que o Ceará foi colonizado por ciganos e marranos. É tão absurdo quanto dizer que o Brasil o foi. Talvez essa ideia seja alimentada pelo caráter andejo do cearense, que se pode encontrar nos rincões mais esconsos do mundo, angariando-lhe o epíteto de “Judeu brasileiro”. Mas isto, a meu ver, nada tem a ver com etnia, mas sim com as inclemências do meio, que forçaramn boa parcela de seu povo a emigrar em busca de melhores oportunidades”.

Recentemente, li três livros importantes sobre nosso interior cearense e confesso que nada encontrei sobre as assertivas: as “Notas de Viagem”, de Antonio Bezerra, UFC, 1960, “Os Aborígenes do Ceará”, de Carlos Studart Filho, UFC, 1965, e “A Abolição no Ceará”, de Raimundo Girão, edição da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará,1969.

Antonio Bezerra percorreu palmo a palmo das localidades do Oeste do Ceará, de Camocim aos Inhamuns, descendo pelo lado cearense da Ibiapaba, e não faz menção a ciganos e marranos. Não sei se se esconderam dele, temendo que fosse “Inquisidor”. Carlos Studart Filho, com uma chuva de dados, detalha a presença das comunidades indígenas no Ceará, todas as tribos: tupis, cariris, tremembés, tarairius e jês. Seu livro honra a bibliografia cearense. Raimundo Girão, por sua vez,aponta onde estavam e quantos eram os negros que chegaram ao Ceará,no período da escravatura, e quando nos antecipamos na libertação deles não chegavam a 35 mil.

“Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (1750-1777), acabou com a escravatura em Portugal Continental em 1751, tolerou a Inquisição que foi até 1821, e depois do Teremoto de Lisboa de 1775, expulsou os jesuítas de Portugal e das suas colónias, e responsabilizou ciganos e marranos pelas trágicas consequências. Ato seguinte, expulsou- os do território português e os mandou para o Brasil e África.Pois o que se diz é que o tal Marquês de Pombal, após o Terremoto de Lisboa de 1755, responsabilizou os ciganos e marranos pelas trágicas consequências, já que não podia responsabilizar a natureza. Ato seguinte, expulsou-os do território português e os mandou para o Brasil e África.

Em 1755, o Ceará contava com cerca de 125 mil habitantes e era território anexado à capitania de Pernambuco, por onde teriam entrado os ciganos e marranos. Só nos tornamos independentes de Pernambuco em 1799 por carta régia da Rainha D. Maria I. Pombal morreu em 1782.

Os marranos, seriam cristãos-novos, judeus, que trocaram seus sobrenomes por Carvalho, Pereira ou Oliveira, etc.

Lina Gorenstein, em “Brasil Marrano: as pesquisas recentes” e Anita Novinsky, em “Inquisição: prisioneiros do Brasil (sec. XVI-XIX)”, começaram a decifrar a presença dos marranos no Nordeste, especialmente Pernambuco, Paraíba e Bahia. Muitos dados reveladores sobre suas intervenções no Nordeste, especialmente nos engenhos de cana de açúcar, suas relações com a comunidade judia mundial. Uma informação anotada é a de que para o século XVIII os cristãos-novos representavam 10% da população livre no Nordeste. Nenhuma das duas pesquisadoras menciona o Ceará.

Vinícius Barros Leal, médico e historiador cearense, escreveu na Revista do Instituto do Ceará, em 1975, o artigo “Os Cristãos novos na formação da família cearense”.

“O Ceará, certamente por sua pequena população, pobreza de recursos e desinteresse mesmo dos inquisidores foi deixado à margem (sic!).

Contribuiu este esquecimento das terras cearenses pela Inquisição para incrementar as transferências disfarçadas de numerosas famílias cripto judaicas da Paraíba e de Pernambuco para nossa terra. Esta migração está bem documentada nos livros de registros paroquiais. Aí aparecem todos aqueles apelidos comuns aos judeus da região. São numerosos os Fonsecas, Henriques, Regos, Pinto, Nunes, Mesquita, Rosa, Antunes, etc.” Agradeço ao Renaldo Lima pela pesquisa.

Ainda é muito pouco para se falar na presença de marranos na civilização cearense.

Sobre a presença dos ciganos no Ceará, povo nômade que se agrupou na Índia e depois se instalou em vários países europeus, sendo perseguidos desde Pombal até Hitler, infelizmente os dados são ainda escassos. Li em “O Povo” e no “Diário do Nordeste” que haveria comunidades ciganas em Sobral e no Crato. Seriam de ciganos já incorporados ao povo do Brasil, sem as características dos nômades que conhecemos no interior do Ceará, vendendo cavalos e gado para sobreviver. Diziam que eram produtos de roubo. Não subscrevo. Agradeço ao Luiz Pinto pelo trabalho de Rodrigo Correa Teixeira, “Historia dos Ciganos no Brasil”, em que o Ceará não é mencionado nem mesmo no período pós Terremoto de Lisboa.

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor.

Untitled Document

JB Serra e Gurgel
Jornalista e Escritor
http://www.cruiser.com.br/girias
gurgel@cruiser.com.br


:: Outras edições ::

> 2017

– Outubro
Como os cearenses vem os cearenses nativos e forasteiros

– Setembro
Ascensão e queda de Cleto Meireles: Colmeia, Haspa e Cidade Ocidental

– Julho
Para a Forbes, o Califa Abu Bakral Bagdadi é a 57ª pessoa mais poderosa do mundo

> 2016

– Setembro
Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor

> 2015

– Novembro
Para a Forbes, o Califa Abu Bakral Bagdadi é a 57ª pessoa mais poderosa do mundo

– Outubro
Um cavaleiro andante que caminhou entre aforismos e citações

– Setembro
Por uma claraboia no meio do Salão Nobre do Palácio da Abolição

– Agosto
As cem edições do Jornal da Gíria. Um marco no mundo gírio

> 2014

– Setembro
Acopiara : “Meton, notas de uma vida”, uma trajetória e um exemplo

– Agosto
O Ceará poderia ter tido mais um presidente: Juarez Távora

– Julho
Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor

– Junho
Dionísia aumentou a presença de Acopiara na Siqueira Gurgel

– Maio
Estão querendo Revogar a lei do morro: não sei, não vi, não conheço

– Abril
Faça como o velho marinheiro...

– Março
Tereza Aragão Serra, uma lenda quase esquecida em Tauá

– Fevereiro
José de Alencar e a língua portuguesa

– Janeiro
Moreira de Acopiara - o poeta popular de Diadema/SP

 

> 2013

– Dezembro
A presença dos Cearenses na população de Brasília

– Novembro
O cearense que escolheu o local para implantação de Brasília

– Outubro
Acopiara – Tia Nenem uma guerreira entre os Guilherme

– Agosto
As citações que marcam o cotidiano de Osvaldo Quinsan

– Julho
O último apito do trem que passava por Acopiara

– Junho
Dionísia aumentou a presença de Acopiara na Siqueira Gurgel

– Maio
Estão querendo Revogar a lei do morro: não sei, não vi, não conheço

– Abril
Faça como o velho marinheiro...

– Março
Tereza Aragão Serra, uma lenda quase esquecida em Tauá

– Fevereiro
José de Alencar e a língua portuguesa

– Janeiro
Moreira de Acopiara - o poeta popular de Diadema/SP

> 2012

–Dezembro
O acopiarense Vicente dos dez mares e oceanos

–Novembro
A presença de marranos e ciganos no Ceará

–Outubro
No modo de dizer dos italianos, as raízes de expressões brasileiras

–Setembro
Nobreza Cearense: Barões e viscondes não assinalados

–Agosto
A linguagem de Paco, regional e universal

–Julho
As armas e os barões assinalados

–Junho
Acopiara - Eita Brazilzão sem porteira

–Maio
Acopiara - Nertan Holanda Gurgel. Auto retrato de um homem simples

–Abril
José Alves de Oliveira: “árvore velha não se muda”

– Março
A gíria presente na obra de Eça de Queiroz II

– Fevereiro
Miguel Galdino - uma vida pelas justas causas

– Janeiro
História do Ceará de todos nós, presentes e ausentes

> 2011

– Dezembro
A gíria ou o calão presente na obra de Eça de Queiroz

– Novembro
A gíria ou o calão presente na obra de Eça de Queiroz
– Setembro
Como o Ceará libertou seus 30 mil escravos
– Agosto
Manoel Edmilson Teixeira um homem simples e de bem
– Julho
Acopiara - Apelidos e o que não falta
– Junho
Acopiara -Zé Marques Filho, uma referencia de respeito
– Maio
Os cearenses do Rio de Janeiro
– Janeiro
Acopiara - não é só mineiro que é desconfiado

> 2010

– Dezembro
Acopiara – os brasileiros reclamam de que mesmo?
–Novembro
Marcas da presença do Ceará na Guerra do Paraguai
– Outubro
Como o Brasil começou a fabricar seu papel moeda
– Junho
Um cearense acima de qualquer suspeita
– Maio
Acopiara – O centenário de Alcebíades da Silva Jacome
– Abril
Acopiara e o Seminário do Crato
– Fevereiro
A queda de braço entre o Presidente Castello Branco e seu irmão Lauro

> 2009

– Dezembro
Os desencontros entre José de Alencar e dom Pedro II
– Novembro
Tem uma Teresa que foi a 1ª. mulher cearense a ser delegada da mulher em Brasília
– Outubro
Acopiara - Dom Newton 60 anos de padre, 30 anos de bispo
– Agosto
Acopiara - O passado é um pais estrangeiro
– Julho
Futebol cearense atravessa mau momento
– Junho
Acopiara – O Estrago da Crise Global
–Maio
Meu avô – Henrique Gurgel do Amaral Valente II
–Abril
Acopiara - Reverência aos nossos heróis anônimos
– Fevereiro
Acopiara vista à distancia, em cruzeiro
– Janeiro
Chico Sobrinho o líder do clã que fará 20 anos de poder em Acopiara

> 2008

– Dezembro
- Acopiara comemorou cinco centenários em 2008
– Novembro
- Acopiara – os 50 anos do padre Crisares.
– Outubro
-Acopiara – como nos despedimos dos que se foram
– Setembro
-Acopiara – Mazinho e Erosimar, os empreendedores
– Agosto
-Acopiara – Ezequiel partiu e deixou saudade
– Julho
- Acopiara - Meu avô, Henrique Gurgel do Amaral Valente
– Junho
- As mães que povoaram Acopiar
– Maio
- Chico Guilherme, a hora e a vez do Coronel




:: Veja Também ::

Blog do Ayrton Rocha
Blog do Edmilson Caminha
Blog do Presidente
Humor Negro & Branco Humor
Fernando Gurgel Filho
JB Serra e Gurgel
José Colombo de Souza Filho
José Jezer de Oliveira
Luciano Barreira
Lustosa da Costa
Regina Stella
Wilson Ibiapina
















SGAN Quadra 910 Conjunto F Asa Norte | Brasília-DF | CEP 70.790-100 | Fone: 3533-3800
E-mail: casadoceara@casadoceara.org.br
- Copyright@ - 2006/2007 - CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA -