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Setembro 2014

Carlos Augusto, Ava Gardner e Fernando César

Veja só o Email que o jornalista Aluísio de Carvalho mandou depois que leu o caso do cantor cearense com a atriz Ava Gardner que conto aqui no meu blog: ‘‘Ibiapina, prezado amigo,

O ‘’locutor que vos fala’’ é Aluísio Raimundo de Carvalho, seu ex-colega de profissão. Para refrescar a memória: como seu vizinho e amigo, fui proprietário daquela casa histórica construída pelo Marcos Paulo Rabelo e vendida por mim ao Ronaldo Junqueira. Mais de 30 anos, meu amigo, e parece que foi ontem! Tenho saudades dos vizinhos, como você e Edilma, e da casa. Mas isso é passado. O que me traz à sua presença, apossando-me de seu endereço eletrônico de uma das mensagens do Jezer, com quem troco e-mails com muita frequência, é o relato que você fez sobre o ‘’affair’’ Carlos Augusto e Ava Gardner. O assunto foi repassado pelo Jezer, e me interessou, pelas razões que te conto agora:

Conheci o Carlos Augusto quando ambos trabalhávamos na velha Rádio Mayrink Veiga, no Rio. Ele, aos 21 anos, já era um cantor bastante conhecido do público e nos meios artísticos. Duas gravações o projetaram: ‘’Vitrine’’ e ‘’Negue’’.

E o seu amigo aqui era um modesto e desconhecido locutor da madrugada. Comecei com 17 anos mal completados, e trabalhei de meia noite às três da manhã, durante quase três anos. Só consegui sair daquele horário graças à ajuda de uma grande figura humana chamada Sebastião Leporace (pai da Gracinha Leporace), que me antecedia na programação e por algumas vezes teve a minha companhia na leitura do jornal falado da meia noite. Isso quando faltava o outro parceiro, o Newton Prado. Eu era um reserva. Ele gostava do meu trabalho e um dia resolveu peitar o Jair de Taumaturgo, que acabou cedendo aos argumentos de que eu era um garoto e aquele horário acabaria por destruir minha saúde. Quem veio para o meu lugar: o Célio Moreira, irmão do Cid. Anos depois, o Célio morou comigo, por um bom tempo, aqui em Brasília. Eu conhecia o Carlos Augusto de cumprimentos de corredor, nada mais que isso. Eu, tímido e novato naquele meio, mantinha-me distante daquela turma já famosa.

Eu já tinha conhecimento do caso Ava Gardner, mas não tinha com ele, Carlos Augusto, aproximação pessoal que permitisse matar minha curiosidade. E a versão que circulou à época é de que ele recebeu o clássico bilhetinho para ir à suite dela, quando terminasse o show. Foi, e quando viu aquele monumento, deitada e prontinha para o amor, nuinha em pelo, correu assustado. Não conhecia a versão que você conta no texto para a publicação da Casa do Ceará, que só agora li, graças ao Jezer, que deve ter mandado para outros amigos.

CARLOS AUGUSTO EM BRASÍLIA

Mas aí é que entra a novidade, meu amigo. E, pelo jeito, você a desconhece. Passado aquele momento glorioso de muito sucesso logo no começo de sua carreira, o Carlos Augusto mergulhou no mundo da droga. E não firmou o pé na vida de cantor. Já recuperado das drogas, mas decadente, alguns anos depois, ele veio parar em Brasília, tentando retomar a carreira artística numa cidade onde não havia concorrência e onde havia uma meia dúzia de inferninhos, principalmente no Núcleo Bandeirante. E adivinhe quem o abrigou: o nosso querido amigo Fernando César Mesquita, que talvez nem tenha tomado conhecimento do passado de seu hóspede no apartamento da 205.

A pedido meu, ele deixou que fosse morar com ele o Fausto de Carvalho, locutor dos meus tempos da Mayrink Veiga. Ante o segundo pedido, o Fernando, que sempre foi generoso nesse tipo de situação, considerou que era apenas mais um. Não sei, ou não me lembro, se o convívio foi tranquilo. Mas ocorreu um fato que não dá para esquecer. O Fernando recebeu de presente uma caixa do conhaque Remy Martin. Quando foi pegar a primeira garrafa, algum tempo depois, já não existia nenhuma. Só os frascos vazios. Mas o Fausto e o Carlos Augusto já estavam longe. O temperamento forte do Fernando foi vencido pela impotência. Não tinha o que fazer. Não me lembro se foi o próprio Fernando que me contou, ou se foi o Mário Honório, um amigo comum. O fato é que eu me senti culpado, pelo menos quanto ao sacana do Fausto, que também já morreu, e por quem intercedi mais diretamente. O Carlos Augusto já veio como sublegenda da concessão ao Fausto de Carvalho (não era meu parente). E acho que foi nessa ocasião, partindo daqui, de carro (não sei com quem), que o Carlos Augusto morreu. Você, que tem mais contato com o Fernando, um Amigo muitíssimo querido (há tempos não o vejo), pode confirmar essa estória, que enriquece um pouco o conhecimento que você tem da vida do saudoso Carlos Augusto. Gostaria de te mandar aqueles dois sucessos que ele fez no começo da carreira, mas acho que você já os tem.

Grande abraço, meu amigo Aluísio de Carvalho’’

(*) Wilson Ibiapina (Ibiapina) jornalista, diretor da Sucursal do Diário do Nordeste em Brasília.

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Wilson Ibiapina
Jornalista

                                            


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